Mostras Elyseu Visconti Cavalleiro

 

‘Eu, Júlio Bressane, Andrea Tonacci, Neville d’Almeida e muitos outros lutamos por um cinema autoral, libertário e que rompesse com os valores tradicionais. Glauber Rocha usou sua política comunista e o estrelismo que conquistou com o Cinema Novo para nos perseguir. Rotulou-nos de marginais e de fascistas. Ele foi um irresponsável que castrou várias gerações. Era muito mais deputado que cineasta. Nosso trabalho não tem nada de maldito. Glauber dizia, inclusive, que não éramos engajados, mas fizemos filmes que continham críticas sociais, como Matou a Família e Foi ao Cinema (1991), do Neville, e Os Monstros de Babaloo, de minha autoria. Além disso, fomos censurados pela ditadura. Meu filme ficou 10 anos parado na censura e, nos anos 70, durante o governo do Médici, fui preso. Fico feliz que agora, pelo menos, estamos sendo vistos e reconhecidos por nossa estética no Brasil.’

ELYSEU VISCONTI CAVALLEIRO é, o que o curador da mostra Paulo Klein define, o ‘rebelde audiovisual’. Herdeiro de plasticidade inigualavel expressada no desenho e nas artes gráficas, produz – nos anos da ditadura militar no Brasil – uma cinematografia autoral, antropológica e delirante, distribuída entre dois longas-metragens Monstros de Babaloo e O Lobisomem – O Terror da Meia Noite e, dezenas de documentários sobre cultura popular, arquitetura colonial e outros temas.

Desde 2008, o  Instituto Via Cultural pesquisa, produz e organiza o material gerado pelo cineasta. Com seu aval, o Instituto atua na certeza da importância da obra e acervo, consolidando a proposta com todas as convergências encontradas em seu pensamento e manifestações artísticas.

A curadoria assina que, “o resgate da produção difusa e anárquica de Elyseu Visconti Cavalleiro é importante por se tratar de um personagem ímpar, repleto de histórias e vivências, mas que acima de outras questões, soube o momento de optar pelo cinema sem abandonar as experiências com as artes plásticas. É fascinante esta convergência entre desenho expressionista x cinema noir x folkdocs. Elyseu foi um exemplo estupendo de vitalidade e criatividade na época da ditadura militar, colaborou com cineastas como Julio Bressane, Neville de Almeida e Rogério Sganzerla, que autorizou em carta que Elyseu usasse de toda a liberdade para que o então jovem montador editasse e colocasse trilha musical em seu Carnaval na Lama. Elyseu Visconti Cavalleiro foi um sobrevivente entre artistas brasileiros verdadeiramente inventivos”.

 Mostra – A Cor do Olhar – São Paulo

Mostra – Cinema e Invenção (BH) 

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